quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Resenha do texto de Lévy, "As tecnologias têm um impacto?"


O autor no referido texto busca demonstrar como se dá a relação entre tecnologia e as atividades humanas, salientando que “a metáfora bélica” onde “a tecnologia seria algo comparável a um projétil e a cultura ou sociedade a um alvo vivo” não faz sentido. Visto que a tecnologia não está dissociada das atividades humanas como se fosse uma entidade com vida própria agindo independentemente, sendo impossível como Pierre Lévy afirma “separa o humano de seu ambiente material.”

Nesse momento a tecnologia aparece como reflexo de três entidades, a saber: técnica, cultura e sociedade. Assim, segundo palavras do próprio autor,

As verdadeiras relações, portanto, não são criadas entre “a” tecnologia (que seria da ordem da causa) e “a” cultura (que sofreria os efeitos), mas sim entre um grande número de atores humanos que inventam, produzem, utilizam e interpretam de diferentes formas as tecnologias.

Ao reafirmar esta idéia, Lévy diz: “as técnicas carregam consigo projetos, esquemas imaginários, implicações sociais e culturais bastante variados”. Desta forma, outro ponto importante diz respeito às formas diversas de uso que o ser humano pode dar à tecnologia. Neste momento, o autor traça comentários relevantes, demonstrando que esta pode encontrar fins muitas vezes nada louváveis, porém as diversas modalidades de uso da tecnologia poderão reformar umas as outras.

Um questionamento levantado pelo autor diz respeito a se técnicas determinam a sociedade ou a cultura. Neste sentido fica evidente seu posicionamento no seguinte trecho: “uma técnica é produzida dentro de uma cultura, e uma sociedade encontra-se condicionada por suas técnicas”. Na atualidade, a constante expansão do que o autor chama de “ciberespaço” traz sentimento de ameaça para os sujeitos que estão condicionados por essas técnicas e, juntamente com esse sentimento, uma sensação de que essas mudanças são impostas e advindas de um ambiente externo somente tende a crescer. Aí Lévy elucida que “quanto mais os processos de inteligência coletiva se desenvolvem – o que pressupõe -, melhor é a apropriação, por indivíduos e por grupos, das alterações técnicas, e menores são os efeitos de exclusão ou de destruição humana da aceleração do movimento tecno-social”.

Essa cibercultura que se expande graças ao avanço das tecnologias, passando estas a serem condicionantes da atividade coletiva em diversos campos, onde esta atividade é apresentada por Pierre Lévy como o veneno e o remédio da própria cibercultura, isso fica claro na seguinte fala do autor: “devido a seu aspecto participativo, socializante, decompartimentalizante, emancipador, a inteligência coletiva proposta pela cibercultura constitui um dos melhores remédios para o ritmo desestabilizante, por vezes excludente, da mutação técnica. Mas neste mesmo movimento, a inteligência coletiva trabalha ativamente para a aceleração dessa mutação.”

Alunas: Adeneide Carvalho, Ester Santos, Kallyna Souza e Taiara Brandão