sábado, 27 de junho de 2009

Clévia Macêdo, Fabiana Brandão, Iane Carneiro e Izabela Santos- Equipe 4

Na última aula Luedy deu continuidade ao debate sobre o texto “Modos de endereçamento: uma coisa de cinema; uma coisa de educação também” de Elizabeth Ellsworth. Para iniciar o debate Luedy nos fez pensar sobre dois pontos que a autora aborda, o primeiro ponto é o seguinte: 

        Qual é a relação entre o texto de um filme e a experiência do espectador, a estrutura de um romance e a interpretação feita pelo leitor, uma pintura e a emoção da pessoa que a contempla, uma prática social e a identidade cultural, um determinado currículo e sua aprendizagem? (...) qual é a relação entre o lado de ‘fora’ da sociedade e o lado de ‘dentro’ da psique humana? 

É possível pensar num roteiro de um filme que atinja o espectador, tocando em seus sentimentos mais íntimos? Ou mais, é possível fazer com que esses sentimentos se dêem na coletividade? Para responder a estes questionamentos, ou até para nos fazer pensar sobre suas possíveis respostas Luedy aborda o segundo ponto: 

        Se você compreender qual é a relação entre o texto de um filme e a experiência do espectador, por exemplo, você poderá ser capaz de mudar ou influenciar, até mesmo controlar, a resposta do espectador, produzindo um filme de uma forma particular.

Não há realidade sem representação, bem como toda representação não é neutra e não é analisada como um todo, mas sim por um recorte da realidade. Ellsworth nos faz pensar sobre o potencial que os filmes teem de nos levar a pensar e a agir da forma como esperam que assim o façamos. Vários filmes são citados pela autora, como Go fish [O par perfeito] que apela que as pessoas que seguem orientações alternativas a participem de festivais alternativos participem de festivais também alternativos. Cita também o filme Jurassic Park [O parque dos dinossauros] que foi produzido para atrair a maior “massa” de espectadores possível.

Não precisamos ir muito longe para pensarmos no efeito do modo de endereçamento cinematográfico, em nossa aula foram citados alguns filmes brasileiros de grande impacto na sociedade. Tropa de Elite, filme de José Padilha [SNOPSE DO FILME: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tropa_de_Elite_(filme)] um filme brasileiro alvo de grande repercussão por trazer um roteiro que retrate com uma grande carga de estereótipos e estigmas a realidade brasileira (ou pelo menos um recorte dela) e porque foi visto por milhares de pessoas antes do seu lançamento nos cinemas. 

Tropa de Elite aborda temáticas variadas mas oriundas de uma mesma raiz, a precariedade em que a sociedade se encontra. Tráfico de drogas, corrupção da polícia brasileira, precariedade na segurança pública, valores morais acerca do que é bom ou ruim.

Até o presente momento nossa discussão na sala parecia que estava se encaminhando para longe do que nos propusemos a debater que era o modo de endereçamento quer no cinema, quer na educação. Para nos sentirmos mais longe ainda do tema proposto apareceu de maneira surpreendente a discussão sobre a legalização ou não da maconha e outras drogas.

Ao dizer que o filme é fascista, Luedy fala de como o filme nos leva a um comportamento impiedoso ao ver um só lado da moeda. No filme, passamos a odiar o Baiano e a julgar correta a atitude de Matias e do Capitão Nascimento em vingar a morte do companheiro, nos esquecemos que por traz de um bandido há também uma família que sentirá a sua morte. No entanto o filme nos apresenta de maneira bem sutil a presença dessa família e nos mostra apenas o sentimento de justiça que há nos ‘homens da lei’.

Pensemos então em outra postura fascista do filme, jovens da classe média usuários de drogas, compradores do criminoso Baiano não sofrem nenhum tipo de punição. Pelo contrário, participam de passeatas em favor da paz como se a atitude de fomentar o tráfico não influenciasse na violência. Há quem defenda que o usuário nada tem a ver com a violência, mas a relação traficante-comprador é uma via de mão-dupla, um não existe sem o outro.

Não há realidade neutra, há sempre uma guerra de idéias, valores e conceitos. Chegamos então na discussão sobre a legalização das drogas. Muitas pessoas se posicionaram acerca do assunto. Houve quem assegurasse que a legalização da maconha diminuiria o tráfico de drogas e conseqüentemente a violência. Mas também houve quem defendesse que a legalização da maconha acabaria como hoje vemos o que acontece com outras drogas lícitas como o álcool e o cigarro, drogas legais, que têm leis que a controlam, leis que não funcionam bem tendo em vista o grande número de vitimas que acomete ano após ano.

Sugerimos que leiam a reportagem sobre “maconha: hora de legalizar?” da revista época [LINK: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI26723-15228-1,00-MACONHA+HORA+DE+LEGALIZAR.html ]

Depois de alguns posicionamentos de algumas alunas em nosso grupo de discussão, pudemos ver pontos relevantes e muito parecidos com o que Mano Brown diz no programa Roda Vida da Tv Cultura apresentado no dia 24/09/2007. A colega Sara mesmo estando ausente no momento do debate em sala se posicionou contra a legalização da maconha e de qualquer outra droga:

Sara: Sou contra, totalmente contra a um genocídio desses, sim coloco aqui como bem me parece dizer “genocídio”. Falo sobre essa questão primeiramente como cidadã que mesmo vendo as mazelas do mundo tem esperança de não mudança radical da situação, mas sim de melhora, e também falo como EDUCADORA. Acho que uma educadora jamais deveria se colocar a favor dessa legalização, pois a mesma tem em suas mãos o dever de educar e formar um cidadão consciente. Quando você é a favor da maconha, você automaticamente se torna cúmplice do assassinato de uma pessoa que cruzou por infelicidade o caminho de um assaltante que queria roubar pra manter o vício.  

Além do fato de sermos EDUCADORES e assim formadores de opinião e capazes de levar os alunos a pensar, bem como ENDEREÇAR nossas aulas de forma a torná-los cidadãos melhores, somos humanos e como tais devemos agir de forma a preservar o homem garantindo a sua vida e não sua degradação. Sugerimos que visitem o blog do colunista da Revista Veja Reinaldo Azevedo que comenta sobre a legalização das drogas [LINK: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/as-drogas-liberalismo-ideal/]. Azevedo defende que a legalização da maconha no Brasil repousa num debate ocioso de quem pede licença para transgredir leis com o aval dos “direitos humanos de quinta geração”, defende ainda a importância da educação doméstica como ingrediente fundamental de manutenção da sociedade. 

Ao falar em assegurar o bem–estar da sociedade, lembramo-nos da fala do professor Luedy a respeito do que leva o ser humano a se beneficiar das drogas. O mesmo coloca que algumas pessoas usam maconha para tirar o stress, outras colegas colocam que muitas pessoas procuram as drogas para encontrar paz ou relaxar ficar zen. E sobre isso o Mano Brown expressa sua opinião sobre a legalização das drogas. Brown diz que devemos deixar de ser hipócritas em acreditar na legalização de algumas drogas, que não é a favor ou contra a nada, mas é a favor de que ninguém precise usar drogas para entender nada. Bem parecido com o nosso ponto de vista, Reinaldo fala claramente que não podemos pensar em liberdade quando o ambiente não gera liberdade, mas a afeta e a estreita. Pensar em liberação de drogas é abrir pré-requisitos para pensarmos em outras liberações, o mesmo cita outras reivindicações que qualquer cidadão pode buscar.

Como Mano Brown [ENTREVISTA COM MANO BROWN http://diversidadecultural.wordpress.com/2007/11/13/6/ achamos que ninguém deveria precisar usar drogas para se sentir melhor, mais feliz ou menos estressado. Pensamos que ao invés de legalizar as drogas, seja ela qual for- pois pensamos que qualquer uma delas traz danos à saúde humana -, o estado brasileiro deveria melhorar a qualidade de vida da população (promovendo mais saúde, educação e lazer), e enquanto formadores possamos endereçar as nossas aulas de forma a construir uma sociedade livre de qualquer vício. 

Relatório da aula – 17/06/2009

    Equipe 3 : Adneide Carvalho, Ester Santos, Taiara Brandão, Kalyna. 

    A aula do dia 17 de junho de 2009 começou com o comentário do professor sobre os relatórios dos grupos 1 e 2 referente a aula anterior. Luedy afirma “Os relatórios foram bons, mas, faltou uma maior reflexão sobre o filme assistido, achei que foi muito descritivo”. Houve também um breve comentário sobre o texto, espaço entre a missão de um texto e uma mensagem, a percepção do espectador, a experiência que se tem em partilhar crenças, sonhos e expectativas. O filme “Tropa de elite” foi ulitilizado como exemplo para ilustrar a maneira como isso acontece.

    A discussão sobre o filme trouxe a tona opiniões diversas e exemplos de como “Tropa de elite” retratou aspectos da marginalidade e descreveu a realidade lamentável da cidade “maravilhosa”. De acordo com muitos comentários emitidos foi possível perceber que estas representações são de efeitos frenéticos e capazes de provocar no espectador vários sentimentos, dentre eles o desejo de “fazer justiça” mesmo que este vá de encontro a princípios éticos e morais.

    A reflexão do filme citado gerou em grande parte dos presentes uma polêmica sobre a legalização das drogas, muitos emitiram suas opiniões, uns contra outros a favor desta legalização.  O assunto realmente causou grande inquietação e não se limitou apenas à sala de aula, mas perdurou nos corredores da universidade chegando até as “novas tecnologias” (nos referimos às discussões no email).

    Ao elaborarmos o presente relatório voltamos a refletir o tema abordado e através de pesquisas realizadas pelo grupo emitiremos o nosso parecer através das palavras do Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira, integrante daUNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas) da Universidade Federal de São Paulo:

             “... se legalizássemos completamente a maconha uma das possibilidades seria um maior consumo global desta droga, e possivelmente um maior consumo na população mais jovem, pois é isto que ocorre com as drogas lícitas como o álcool e o cigarro. Portanto com a legalização teríamos por um lado talvez menor número de crimes mais violentos, mas por outro lado a população mais jovem teria maiores complicações na escola, e talvez até aumentasse um tipo de criminalidade menos violenta para conseguir um pouco de dinheiro para consumir drogas.”

            “... podemos perceber que a proibição total de uma droga produz dano a medida que a droga progride na escala de legalidade, e portanto a sua disponibilidade social aumenta, o número de usuários aumenta, aumentando também o nível global de dano.”

            “No caso do álcool, por exemplo, centenas de pesquisas mostraram que quanto menor o preço e maior a disponibilidade num país, maior é o número de pessoas com problemas relacionados com o uso de álcool.”

            “... devemos, em primeiro lugar, diminuir o consumo global de todas as drogas. A estratégia para atingirmos esta diminuição é que pode variar de droga para droga e depender do momento histórico que uma sociedade vive.”

            “As políticas a serem implementadas no caso do álcool são várias e visariam essencialmente diminuir o consumo global. 1 - políticas de preço e taxação que são as ações com maior impacto social imediato.”

            “2 - políticas que diminuíssem o acesso físico do álcool. Tem sido demonstrado que quanto menor o número de locais vendendo álcool, maior o respeito ao limite de idade para vendas de bebidas alcoólicas, maior a consistência das leis do beber e dirigir, menor é o consumo global de uma população.

             “... 3 - políticas de proibição da propaganda nos meios de comunicação.

            “4 - campanhas na mídia e nas escolas visando informar melhor os efeitos de álcool...”

            “O desafio do debate das drogas no Brasil não é se devemos afrouxar as leis da maconha, mas como fazer um debate informado e com dados, e produzir uma política de drogas racional e balanceada que possa ser avaliada constantemente.”

            “A implementação desta política não ocorre espontaneamente, mas com uma ação determinada de governo. Talvez seja inútil esperarmos por uma grande política nacional de drogas. Ações locais de governo poderiam fazer uma grande diferença. Os estados e municípios deveriam envolver-se nessas ações com a ajuda comunitária. A sociedade civil já está bastante mobilizada com o assunto álcool e drogas, é necessário agora que os governos democraticamente eleitos mostrem a sua capacidade de organizar uma resposta racional a um problema que afeta milhões de brasileiros com um custo enorme para o país.” (Disponível em, http://www.sobresites.com/dependencia/pdf/LegalizacaoXRacionalidade) 

    A aula foi de grande valia, pois temas com estes contribuem para nossa formação e faz-nos ver que como educadoras precisamos estar com a mente aberta para refletir sobre diversos assuntos que permeiam a nossa sociedade e nos revela que cada aula contribuiu para a construção do conhecimento fundado sobre o uso crítico da razão vinculado a princípios éticos. 
 
 

terça-feira, 16 de junho de 2009

Relatório da aula do dia 10/06/09, Equipe 02

Na última quarta-feira, começamos a aula com o professor Luedy falando do texto “Modos de endereçamento: uma coisa de cinema; uma coisa de educação também”, da autora Elizabeth Ellsworth, o que levou a uma pequena discussão, quando a aluna Fabrícia diz que amou o texto porque adora cinema. Luedy diz que quanto mais persuasivo for o filme, mais a gente se entrega a ele.


Em seguida, Luedy passou um documentário para a turma assistir, “Edifício Master”, do diretor Eduardo Coutinho (um cineasta brasileiro nascido em 11 de maio de 1933, na cidade de São Paulo, considerado um dos mais importantes documentaristas da atualidade).


O documentário “Edifício Master” relata a rotina de um edifício em Copacabana, a uma esquina da praia, 276 apartamentos conjugados, 500 moradores, 12 andares, 23 apartamentos por andar. Eduardo Coutinho e sua equipe alugaram um apartamento no prédio por um mês e durante sete dias filmaram a vida de seus moradores, 37 deles são personagens do filme.


O documentário inicia com o depoimento da primeira moradora entrevistada, por nome de Vera Lúcia, ela diz que mora no edifício há 49 anos, mudou de apartamento 28 vezes, no mesmo edifício, diz que ali já foi um prostíbulo, tinha morte, prostituição, homicídio, mas que agora é um prédio familiar.


Outro depoimento interessante foi o do síndico Sergio, ele fala que na sua administração tenta usar “Piaget”, mas quando não dá certo usa “Pinochet” para tentar tornar o prédio um ambiente mais amoroso.


Há pessoas que relatam demonstrando amor ao seu (a) companheiro (a), ciúme, algumas falam da paixão pela música, pela pintura, atuação em novelas, cinema, dança e outras comentam sobre problemas de socialização.


O que chama mais atenção, na maioria dos depoimentos, é a solidão que as pessoas expressam e a pouca proximidade entre os vizinhos, como é o caso da última moradora entrevistada, Fabiana, a qual foi morar sozinha para estudar, ela relata sobre sua experiência em conviver em um edifício, no qual desconhecia seus vizinhos e passou a conhecer depois de quatro meses.


Após o término do documentário, iniciou uma discussão relacionando-o com o texto “Modos de endereçamento”, colocada em sala de aula tanto pelo professor, como por algumas alunas. Houve também comentários fazendo ligação do que estava sendo discutido com a representação da realidade. Luedy falou que houve uma seleção de participantes e o roteiro é feito de recortes da vida de todos ao mesmo tempo, através de cada janela para a produção do documentário “Edifício Master”.


Vale ressaltar que, outro aspecto importante retirado do texto, foi trecho lido pelo professor Luedy:

Mas a educação era um campo em nada parecido com o do cinema e da televisão. Não era em nada parecido com o campo da literatura e da teoria literária. Era mais parecido com as aulas de sociologia que eu tive – aquelas ensinadas por meio de livros-texto de instrução programada. Como eu acabava de descobrir, o campo da educação era uma ciência social. O que mais aprendi do meu encontro com o campo acadêmico da educação, que agora já dura por mais dez anos, foi que eu não quero ensinar ou aprender na ausência de prazer, enredo, emoção, metáfora, artefatos culturais e de envolvimento e interação com o público. (Elizabeth Ellsworth, 2001, p.10-11).

Luedy comenta que a autora Elizabeth Ellsworth, também é ligada ao campo da educação, como cineasta também quer trabalhar e ensinar por prazer e emoção, o que hoje é difícil ver nos atuais profissionais da educação.


No próximo encontro, continuaremos com o restante da discussão do texto e do documentário, que será feita em sala de aula por outras colegas.


Equipe 02: Carine Nascimento, Daniele, Fabiana e Wiliane

   

Relato do dia 10/06, pela Equipe 01

O professor Eduardo Luedy inicia a aula perguntando à turma o que achou do texto “Modo de Endereçamento: uma coisa de cinema”, no qual traz modo de endereçamento como um termo de estudos do cinema, de Elizabeth Ellsworth (2001), se referindo a uma estruturação (a partir da posição na qual o espectador pode ler o filme) e as relações entre espectador e o filme. Ele tem como objetivo endereçar a comunicação, texto ou ação “para” alguém, porém, muitas vezes esse objetivo não é atingido, porque acaba influenciando um público “ao qual não é direcionado”. A aluna Fabrícia expõe sua opinião dizendo que nem sempre conseguimos perceber o endereçamento de um filme, pois ás vezes é sutil, singelo e o professor acrescenta que também é persuasivo.

Luedy lê um trecho da página dez:

Mas a educação era um campo em nada parecido com o do cinema e da televisão. Não era nada parecido com o da literatura e da teoria literária. Era mais parecido com as aulas de sociologia que eu tive – aquelas ensinadas por meio de livros-texto de instrução programada. Como eu acabava de descobrir, o campo da educação era uma ciência social. O que eu mais aprendi do meu encontro com o campo acadêmico da educação, que agora já dura por mais de dez anos, foi que eu não quero ensinar ou aprender na ausência de prazer, enredo, emoção, metáfora, artefatos culturais e de envolvimento e interação com o público. (ELLSWORTH, 2001, p. 10-11).

Em seguida comenta que no campo da educação não há enredo, emoção e artefatos culturais. Entretanto, o grupo discorda da colocação do professor, pois percebemos que apesar da pouca evidência ainda há pessoas que ensinam e aprendem com prazer e emoção. Seguindo, lê também um parágrafo da página doze:

Questões como: qual é a relação entre o texto de um filme e a experiência do espectador, a estrutura de um romance e a interpretação feita pelo leitor, uma pintura e a emoção da pessoa que a contempla, uma prática social e a identidade cultural, um determinado currículo e a sua aprendizagem? (ELLSWORTH, 2001. p.12)

E explica que o filme precisa seduzir para que nos coloquemos no lugar a qual ele se endereça.

Posteriormente propõe à turma assistir ao documentário Edifício Máster de Eduardo Coutinho. Esse documentário relata a história de moradores do Edifício Máster em Copacabana. Seus relatos mostram recortes do cotidiano vivido por eles. São histórias como: a de Sérgio que é administrador do prédio: ele diz gostar do seu cargo e tem como objetivo fazer do prédio um lugar de qualidade. Segundo ele, usa Piaget e se não der resultado usa Pinochet. A de Carlos e Maria Regina: ela diz ser muito ciumenta e por esse motivo quase cometeu suicídio, teve 22 filhos com 15 abortos. Ambos moravam numa favela. Maria Regina diz não gostar de Copacabana, pois se sente presa. Alessandra é uma jovem de 20 anos. Diz que não teve infância, seu pai não a deixava livre e segundo ela por esse motivo ficou grávida aos 14 anos na sua primeira relação sexual. Atualmente é garota de programa e diz ter uma vida difícil e faz isso para sustentar a filha.

Após o depoimento dos moradores desse edifício, percebemos a influência da mídia em Copacabana. Ela nos traz que Copacabana é um bairro de classe média alta, mas não traz o outro lado, como relata os moradores. Um bairro muito populoso, com muito barulho e muitas vezes as pessoas não conhecem nem mesmo seu próprio vizinho. Preferem a solidão de suas casas.

Ao término do documentário, Luedy e algumas alunas discutem sobre os personagens do filme, que são atores reais, sociais. O professor acrescenta também que não existe real que não seja recorte e ficou claro para todos que apesar de Copacabana ser um dos bairros mais populosos algumas pessoas sentem-se sozinhas: “é estar só na multidão”. Após isso a aula termina ás 10:55 hs, deixando o fim da discussão para a aula do dia 15/06/09.

Equipe 01, Aline, Adriana Souza; Elisione, Marta.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Blogs ou a hipertuxtualização de que nos fala Lévy

Durante o meu período de afastamento das atividades acadêmicas da Uefs - um longo período de quase dez meses que me foram úteis para poder dar cabo de uma tese de doutorado -, entre maio de 2008 e janeiro de 2009, dentre as tantas tarefas de leituras, coleta e análise de material empírico requeridos para poder escrever aquele trabalho, passeei muito pela internet.

Meu lazer e meu trabalho de pesquisa já não se apartavam na maioria das vezes, uma vez que boa prate de minhas pesquisas e leituras eram feitas na internet. E assim foi que descobri o Blog de Caetano Veloso, Obra em Progresso.

Participei muito ativamente deste Blog, tanto como leitor quanto comentarista dos diversos e interessantes textos que Caetano postava em seu Blog. O que, pra mim, era mesmo uma honra: Caetano lia e respondia a quase tudo o que escrevíamos lá. Houve uma ocasião, por exemplo, em que ele escreveu sobre linguística e eu me pus a discordar dos pressupostos dele. Ele não só respondeu, como tabulamos, a partir daí, uma interessante conversa - algo que o fez até modificar um pouco seu ponto de vista.

Mais do que cabotinagem minha, ficar contando de meus papos virtuais com Caetano serve mais de exemplo de como estas novas  tecnologias de comunicação, mais do que afastar as pessoas, facilitam aproximações. Mas é também exemplo daquilo que comversávamos sobre letramento - neste blog as pessoas escreviam muito, liam muito

Além do que, o Blog de Caetano, assim como tantos outros, ilustra bem aquilo que Lévy chama de hipertextualização - uma ampliação das possibilidades de leitura, algo que "produz, a partir de um texto inicial, uma reserva textual e instrumentos de composição graças aos quais um navegador poderá projetar uma quantidade de outros textos" (que está na p. 42 do capítulo "a virtualização do texto".)

Um dos posts no Blog de Caetano sobre o neo-pagode baiano conseguiu ter mais de 500 comments! Textos sobre textos, bem aquilo que Lévy nos diz acerca do texto ser transformado em "problemática textual":

"... o suporte digital permite novos tipos de leituras (e de escritas) coletivas. Um continuum variado se estende assim entre a leitura individual de um texto preciso e a navegação em várias redes digitais no interior das quais um grande número de pessoas anota, aumenta, conecta os textos uns aos outros por meio de ligações hipertextuais" (p.43).
Um outro exemplo de como os tais "instrumentos de composição" podem transformar nossos atos de composição e leitura textual: eu havia criado um blog para uma outra disciplina que ministrei "Educação e Diversidade Cultural". A disciplina passou (e de fato a idéia de envolver os alunos e alunas da disciplina não deu muito certo - a participação foi mínima) e eu acabei tomando o bblog para mim mesmo. Escrevi um texto sobre música popular e preconceito que veio a despertar alguma atenção.

Um grande amigo.militante negro, envolvido com hip-hop em Salvador, que também tem um Blog muito interessante, "Gramática da Ira", gostou do texto e o republicou.

Vejam como ele fez um uso muito mais interessante do que eu mesmo fiz em meu blog. Na verdade, O que meu amigo Nelson Maca fez com o meu texto foi ampliar suas possibilidades hipertextuais. Vejam como ficou, comparem e digam algo!

ps. apenas metade da turma está recebendo avisos através do grupo de discussão. Parte significativa de nossas tarefas se darão de agora em diante a partir destes suportes. Será que vou ter que fazer uma avaliação, valendo ponto, daquelas bem ameaçadoramente punitivas para fazer com que todas acompanhem o que estou propondo? Espero que não. Eu não tenho muito jeito pra isso.