É uma pena perceber a pouca participação e/ou interesse de vocês acerca do
Seminário de Educação e Pluralidade Sócio-Cultural que o Departamento de Educação da Uefs acabou de promover (foi nos dias 27 a 29 de maio). Bem, pelo menos esta foi a impressão que tive ao comparecer a uma das sessões de comunicações do evento. Cheguei a conseguir levar a turma de primeiro semestre lá, mas as alunas ficaram por pouco tempo, uma vez que um dos professores não havia liberado a turma.
Bem, mas o que eu gostaria de comentar (para além de minha insatisfação para com a pouca participação das alunas do curso num seminário organizado pelo próprio departamento de educação (sim, eu sei que estamos todos e todas sempre muito atribulados, sei também que o seminário pecou em muitos aspectos de sua organização, mas nada disso justifica a baixa participação das alunas e alunos do curso) foi a minha grata surpresa por ter presenciado trabalhos acadêmicos de excelente qualidade na sala de comunicações em que estive.
Na sessão de comunicações em que estive, o tema era "espaços educativos, sujeitos e aprendizagens". E o trabalho em particular que eu gostaria de comentar aqui intitula-se "webquest africabrasis: ferramenta interativa da internet e sua aplicabilidade pedagógica".
A apresentação me tocou muito porque eu não pude deixar de lembrar do duro processo de escolarização de meu filho e de como a escola lhe parece chata e sem sentido. Pois bem, quando minhas esperanças no modelo tradicional de educação escolar pareciam estar irremediavelmente perdidas, eis que nos surpreendemos novamente e suspendemos nossa descrença. A utopia novamente pôde se fazer crível e animar nossos esforços pedagógicos por uma educação radicalmente democrática, não-autoritária e excludente.
Bem, vocês lembram de como eu tenho me queixado da política pedagógico-curricular da escola de meu filho. Vocês lembram de como eu tenho lhes dito acerca da escola ser irritantemente conservadora, conteudista e pre-ocupada com o vestibular. Vocês sabem, tudo isto tem sido motivo de muita angústia, afinal, é a vida e a formação (ou pelo menos parte significativa delas) de nossos filhos e filhas. É isso o que está em jogo ali.
Discutir processos formativos escolares, portanto, não deveria prescindir das histórias mais íntimas, das ansiedades que acometem nossos filhos e das dificuldades todas que parecem afetar tanto a auto-estima de nossos alunos e alunas.
A experiência narrada pelas professoras Simone Santos de Oliveira e Ilnara Barros de Santana foi como uma luz no fim de um longo túnel. A metáfora não é exagerada. Dada a maneira mecânica com que a maioria das escolas - sejam públicas ou privadas - seguem os modelos curriculares do tipo processo-produto, nos quais os professores encarregam-se apenas de repassar conteúdo previamente selecionado, não há como não se exasperar com o obscurantismo e a ausência de criticidade que acomete a maioria de nossos professores e coordenadores pedagógicos.
Mas em que consistia a experiência pedagógica narrada pelas professoras? Por que ela despertou tanto interesse em mim? Por que lembrei de postar isso aqui?
Primeiramente, porque é uma experiência integradora de duas áreas de saber, basicamente a história e a geografia. Mas isso não significa que outras áreas não estivessem ali também sendo consideradas. Artes (dança, teatro, poesia), língua portuguesa e o aprendizado do que chamamos de Novas Tecnologias da Comunicação e Informação. Sigam este
link para ter uma idéia do planejamento pedagógico do projeto.
A partir de uma tema gerador - a África e os afro-descendentes brasileiros - as professoras elaboraram um plano de ensino envolvendo dança, música, história, geografia.
Em segundo lugar, o planejamento pedagógico das professoras não perdia de foco o combate ao preconceito e aos processos de estigmatização do "outro", não-branco, não-ocidental, muitas vezes tido como inferiorizado. Em outros termos, um planejamento que não se dissocia de importantes questões éticas, fundamentais para o desenvolvimento de uma cidadania mais plena e democraticamente participativa.
E, por fim, o uso das tecnologias auxiliando os estudos dos alunos e alunas envolvidos.
Não tenho maiores detalhes no momento. Estou com os endereços eletrônicos das professoras e pretendo visitar a escola estadual em que elas trabalham - o Colégio Estadual Dr. Jair Santos Silva, em Feira de Santana.