Bem, mas o que eu gostaria de comentar (para além de minha insatisfação para com a pouca participação das alunas do curso num seminário organizado pelo próprio departamento de educação (sim, eu sei que estamos todos e todas sempre muito atribulados, sei também que o seminário pecou em muitos aspectos de sua organização, mas nada disso justifica a baixa participação das alunas e alunos do curso) foi a minha grata surpresa por ter presenciado trabalhos acadêmicos de excelente qualidade na sala de comunicações em que estive.
Na sessão de comunicações em que estive, o tema era "espaços educativos, sujeitos e aprendizagens". E o trabalho em particular que eu gostaria de comentar aqui intitula-se "webquest africabrasis: ferramenta interativa da internet e sua aplicabilidade pedagógica".
A apresentação me tocou muito porque eu não pude deixar de lembrar do duro processo de escolarização de meu filho e de como a escola lhe parece chata e sem sentido. Pois bem, quando minhas esperanças no modelo tradicional de educação escolar pareciam estar irremediavelmente perdidas, eis que nos surpreendemos novamente e suspendemos nossa descrença. A utopia novamente pôde se fazer crível e animar nossos esforços pedagógicos por uma educação radicalmente democrática, não-autoritária e excludente.
Bem, vocês lembram de como eu tenho me queixado da política pedagógico-curricular da escola de meu filho. Vocês lembram de como eu tenho lhes dito acerca da escola ser irritantemente conservadora, conteudista e pre-ocupada com o vestibular. Vocês sabem, tudo isto tem sido motivo de muita angústia, afinal, é a vida e a formação (ou pelo menos parte significativa delas) de nossos filhos e filhas. É isso o que está em jogo ali.
Discutir processos formativos escolares, portanto, não deveria prescindir das histórias mais íntimas, das ansiedades que acometem nossos filhos e das dificuldades todas que parecem afetar tanto a auto-estima de nossos alunos e alunas.
A experiência narrada pelas professoras Simone Santos de Oliveira e Ilnara Barros de Santana foi como uma luz no fim de um longo túnel. A metáfora não é exagerada. Dada a maneira mecânica com que a maioria das escolas - sejam públicas ou privadas - seguem os modelos curriculares do tipo processo-produto, nos quais os professores encarregam-se apenas de repassar conteúdo previamente selecionado, não há como não se exasperar com o obscurantismo e a ausência de criticidade que acomete a maioria de nossos professores e coordenadores pedagógicos.
Mas em que consistia a experiência pedagógica narrada pelas professoras? Por que ela despertou tanto interesse em mim? Por que lembrei de postar isso aqui?
Primeiramente, porque é uma experiência integradora de duas áreas de saber, basicamente a história e a geografia. Mas isso não significa que outras áreas não estivessem ali também sendo consideradas. Artes (dança, teatro, poesia), língua portuguesa e o aprendizado do que chamamos de Novas Tecnologias da Comunicação e Informação. Sigam este link para ter uma idéia do planejamento pedagógico do projeto.
A partir de uma tema gerador - a África e os afro-descendentes brasileiros - as professoras elaboraram um plano de ensino envolvendo dança, música, história, geografia.
Em segundo lugar, o planejamento pedagógico das professoras não perdia de foco o combate ao preconceito e aos processos de estigmatização do "outro", não-branco, não-ocidental, muitas vezes tido como inferiorizado. Em outros termos, um planejamento que não se dissocia de importantes questões éticas, fundamentais para o desenvolvimento de uma cidadania mais plena e democraticamente participativa.
E, por fim, o uso das tecnologias auxiliando os estudos dos alunos e alunas envolvidos.
Não tenho maiores detalhes no momento. Estou com os endereços eletrônicos das professoras e pretendo visitar a escola estadual em que elas trabalham - o Colégio Estadual Dr. Jair Santos Silva, em Feira de Santana.
É uma pena que diversas razões nos impossibilitem de participar de algumas atividades acadêmicas. Há questões financeiras, questões de intolerância de alguns professore e desmotivação de alguns alunos. No meu caso os dois primeiros motivos me impossiblitaram de participar. No entanto, assisti junto a outras colegas a palestra da profª Neuza, que falava sobre a formação do professor e o seu reconhecimento profissional as questões ali levantadas foram muito pertinentes. Espero ter mais questionamentos trazidos por você das outras palestras oferecidas pelo evento.
ResponderExcluirFico feliz pelos elogios direcionados ao trabalho sobre "webquest africabrasis: ferramenta interativa da internet e sua aplicabilidade pedagógica", pois esse trabalho é fruto da crença de que a escola pública, querendo pode realmente trasformar as práticas pedagógicas desenvolvidas desde que organize um trabalho sério, que envolva um bom planejamento, pesquisa e sobretudo onde os alunos sintam-se foco da aprendizagem.
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