Durante o meu período de afastamento das atividades acadêmicas da Uefs - um longo período de quase dez meses que me foram úteis para poder dar cabo de uma tese de doutorado -, entre maio de 2008 e janeiro de 2009, dentre as tantas tarefas de leituras, coleta e análise de material empírico requeridos para poder escrever aquele trabalho, passeei muito pela internet.
Meu lazer e meu trabalho de pesquisa já não se apartavam na maioria das vezes, uma vez que boa prate de minhas pesquisas e leituras eram feitas na internet. E assim foi que descobri o Blog de Caetano Veloso, Obra em Progresso.
Participei muito ativamente deste Blog, tanto como leitor quanto comentarista dos diversos e interessantes textos que Caetano postava em seu Blog. O que, pra mim, era mesmo uma honra: Caetano lia e respondia a quase tudo o que escrevíamos lá. Houve uma ocasião, por exemplo, em que ele escreveu sobre linguística e eu me pus a discordar dos pressupostos dele. Ele não só respondeu, como tabulamos, a partir daí, uma interessante conversa - algo que o fez até modificar um pouco seu ponto de vista.
Mais do que cabotinagem minha, ficar contando de meus papos virtuais com Caetano serve mais de exemplo de como estas novas tecnologias de comunicação, mais do que afastar as pessoas, facilitam aproximações. Mas é também exemplo daquilo que comversávamos sobre letramento - neste blog as pessoas escreviam muito, liam muito
Além do que, o Blog de Caetano, assim como tantos outros, ilustra bem aquilo que Lévy chama de hipertextualização - uma ampliação das possibilidades de leitura, algo que "produz, a partir de um texto inicial, uma reserva textual e instrumentos de composição graças aos quais um navegador poderá projetar uma quantidade de outros textos" (que está na p. 42 do capítulo "a virtualização do texto".)
Um dos posts no Blog de Caetano sobre o neo-pagode baiano conseguiu ter mais de 500 comments! Textos sobre textos, bem aquilo que Lévy nos diz acerca do texto ser transformado em "problemática textual":
"... o suporte digital permite novos tipos de leituras (e de escritas) coletivas. Um continuum variado se estende assim entre a leitura individual de um texto preciso e a navegação em várias redes digitais no interior das quais um grande número de pessoas anota, aumenta, conecta os textos uns aos outros por meio de ligações hipertextuais" (p.43).
Um outro exemplo de como os tais "instrumentos de composição" podem transformar nossos atos de composição e leitura textual: eu havia criado um blog para uma outra disciplina que ministrei "Educação e Diversidade Cultural". A disciplina passou (e de fato a idéia de envolver os alunos e alunas da disciplina não deu muito certo - a participação foi mínima) e eu acabei tomando o bblog para mim mesmo. Escrevi um texto sobre música popular e preconceito que veio a despertar alguma atenção.
Um grande amigo.militante negro, envolvido com hip-hop em Salvador, que também tem um Blog muito interessante, "Gramática da Ira", gostou do texto e o republicou.
Vejam como ele fez um uso muito mais interessante do que eu mesmo fiz em meu blog. Na verdade, O que meu amigo Nelson Maca fez com o meu texto foi ampliar suas possibilidades hipertextuais. Vejam como ficou, comparem e digam algo!
ps. apenas metade da turma está recebendo avisos através do grupo de discussão. Parte significativa de nossas tarefas se darão de agora em diante a partir destes suportes. Será que vou ter que fazer uma avaliação, valendo ponto, daquelas bem ameaçadoramente punitivas para fazer com que todas acompanhem o que estou propondo? Espero que não. Eu não tenho muito jeito pra isso.
pelo visto não precisará fazer a avaliação!
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